Há mais de cinquenta anos, o Boeing 737 percorre os céus de todo o mundo. Avião comercial incontornável, transportou milhares de milhões de passageiros e faz parte do quotidiano de muitas companhias aéreas. Mas por detrás deste nome, que se tornou familiar, esconde-se uma história rica, marcada por evoluções técnicas, desafios importantes e um sucesso comercial fora do comum.
Nas origens do 737: responder a uma nova necessidade
Estamos em meados da década de 1960. A aviação comercial está em plena expansão e as companhias aéreas procuram aviões mais pequenos, mais económicos, capazes de ligar rapidamente cidades em distâncias médias. A Boeing, já reconhecida pelos seus modelos 707 e 727, decide responder a esta necessidade com um aparelho de curto curso a jato.
É assim que nasce o projeto do Boeing 737. O primeiro protótipo descola a 9 de abril de 1967 de Renton, no estado de Washington. O aparelho foi concebido para ser simples, robusto e de fácil manutenção. Está equipado com motores posicionados sob as asas – uma novidade para um avião deste tamanho na época.
A evolução de um avião que se tornou icónico
Os inícios: 737-100 e 737-200
As primeiras versões do 737, os modelos -100 e -200, não encontraram imediatamente um sucesso fulgurante. No entanto, a sua fiabilidade conquistou, pouco a pouco, as companhias aéreas. A Lufthansa foi, aliás, o primeiro cliente não americano a encomendar o aparelho. Com os seus 100 a 130 lugares, o 737 tornou-se uma solução ideal para trajetos interiores e regionais.
A gama Classic: mais capacidade, mais eficiência
Na década de 1980, a Boeing lança uma nova versão do 737: a série Classic, que inclui os modelos -300, -400 e -500. Esta geração traz melhorias notáveis: novos motores CFM56, melhor consumo de combustível, modernização da cabine. O desempenho foi revisto em alta, o que permitiu ao 737 impor-se ainda mais face aos seus concorrentes.
Next Generation: o 737 entra na era moderna
No final da década de 1990, a Boeing revela uma nova série batizada de “Next Generation” ou “NG”. Os modelos -600, -700, -800 e -900 beneficiam de avanços importantes: estrutura reforçada, maior autonomia, novas asas e aviónica melhorada. O 737 NG torna-se rapidamente um pilar para muitas companhias em todo o mundo. O 737-800, em particular, impõe-se como o modelo mais vendido da série.
O 737 MAX: a inovação no centro da controvérsia
Em 2011, a Boeing lança o programa 737 MAX para enfrentar a concorrência crescente do Airbus A320neo. O MAX está equipado com motores mais modernos (LEAP-1B), melhorias aerodinâmicas e um consumo reduzido. Contudo, apesar da sua ambição, a história do MAX será marcada por duas tragédias graves em 2018 e 2019, que causaram a perda de centenas de vidas humanas.
Estes acidentes, ligados a um mau funcionamento do sistema MCAS, desencadearam uma crise sem precedentes. O MAX foi proibido de voar em todo o mundo durante quase dois anos. A Boeing teve então de rever o sistema, reforçar a formação dos pilotos e convencer as autoridades de regulação. O 737 MAX regressou finalmente ao serviço no final de 2020, num clima de prudência e de recuperação progressiva da confiança.
Uma presença mundial incontestável
Hoje, o Boeing 737 voa em todos os continentes. Seja para trajetos domésticos curtos ou voos transfronteiriços, faz parte integrante das frotas de companhias como a Southwest Airlines, Ryanair, United ou a Turkish Airlines. A sua adaptabilidade e rentabilidade continuam a conquistar os transportadores aéreos, sejam eles tradicionais ou de baixo custo.
Descubra as nossas maquetes Boeing
Alguns números impressionantes
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Mais de 11 000 aparelhos entregues desde a criação do programa
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2 Boeing 737 descolam a cada minuto no mundo
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Mais de 16 mil milhões de passageiros transportados no total
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Um programa em produção há mais de 55 anos, um recorde absoluto na história da aviação
Desafios importantes no caminho
Se o sucesso do Boeing 737 é incontestável, não esteve isento de turbulências. Além da crise do MAX, o aparelho teve de enfrentar críticas sobre a sua conceção envelhecida, nomeadamente a fuselagem herdada da década de 1960. Alguns especialistas consideram que está na altura de virar a página e desenvolver um avião totalmente novo, mais adaptado às exigências do século XXI.
Que futuro para o 737?
Apesar das dúvidas, a Boeing continua a produzir o 737 MAX, com várias variantes em serviço e outras em desenvolvimento. O construtor aposta na versão MAX 10 para concorrer frontalmente com o A321neo da Airbus. Paralelamente, decorrem discussões sobre um eventual substituto para o 737, que representaria uma rutura completa com o design atual.
O que é certo é que o Boeing 737 ainda não disse a sua última palavra. O seu legado, a sua reputação e a enorme frota em serviço garantem-lhe ainda muitos anos nos ares.
Conclusão: um avião, uma lenda
Do 737-100 dos inícios ao 737 MAX de hoje, este avião atravessou épocas e marcou a história da aviação comercial. Encarna, ao mesmo tempo, a inovação, a fiabilidade e a complexidade de um mundo aéreo em constante evolução. Para os passageiros, tal como para os profissionais, o Boeing 737 permanece uma referência, um símbolo… e, sem dúvida, uma lenda viva.
Veja um vídeo sobre a história do Boeing 737:
FAQ: respondemos a todas as suas perguntas
Qual é o Boeing 737 mais vendido?
O 737-800 (Next Generation) é o modelo mais vendido de toda a gama, com vários milhares de exemplares entregues.
Qual é a diferença entre o 737 NG e o 737 MAX?
O 737 MAX possui novos motores mais económicos, uma melhor aerodinâmica e melhorias na cabine. Consome menos combustível do que o NG.
Porque é que o Boeing 737 MAX foi imobilizado?
Na sequência de dois acidentes em 2018 e 2019, causados por um problema de software (MCAS), a totalidade da frota MAX foi proibida de voar durante quase dois anos.
Quanto custa um Boeing 737 novo?
O preço de catálogo de um 737 MAX varia entre 100 e 130 milhões de dólares, dependendo da versão.
Qual é a vida útil de um Boeing 737?
Um 737 pode voar, em média, entre 20 e 30 anos, dependendo da manutenção, da utilização e dos ciclos de voo.



